
Natural de Curitiba, Amanda aprendeu a reconhecer que toda vida carrega camadas invisíveis e que compreender o humano exige mais do que técnica: exige escuta. Essa rara habilidade tem ligação direta com seu percurso profissional. Ela é formada em Enfermagem, mestre em Saúde Coletiva e especialista em Direitos Humanos.
Se a rotina diária a ensinou a escutar; a escrita a ensinou a dizer. “Trabalho em contextos em que a escuta não é apenas técnica, mas ética”, conta. Assim, a escrita se consolidou como um segundo campo de atuação, não como fuga da realidade, mas como uma espécie de continuidade.
Ela não costuma escreve por impulso imediato. Espera a ideia amadurecer para aí, sim, ganhar vida. “Tenho um compromisso com a precisão, cada palavra precisa justificar a sua permanência”.
A autora é leitora dos paranaenses Paulo Leminski, Dalton Trevisan e Helena Kolody, mas também de Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Carlos Drummond de Andrade e Conceição Evaristo — por exemplo. Autores como Virginia Woolf e Franz Kafka, que trabalham a interioridade, o estranhamento e as tensões da existência, são outras referências. Edgard Allan Poe e Aluísio Azevedo também estão entre seus escritores favoritos.
Para ela, escrever foi, desde o começo aos 13 anos, uma forma de não deixar certas experiências se perderem. Se os primeiros textos eram íntimos, como sussurro para si própria, com o tempo, a escrita deixou de ser apenas abrigo e passou a ser também um modo de organizar o pensamento, a memória e a própria existência. “Traduz o que não se organiza em fala, o que escapa, o que insiste”.